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FESTA DO 10.º ANIVERSÁRIO DA EDITORA SNOB

  • Foto do escritor: Rosa Azevedo
    Rosa Azevedo
  • há 6 horas
  • 4 min de leitura

Feira do Livro do Porto, pavilhão 37

29 de Agosto, 16h


A nossa editora não somos nós, são horas de conversas, finos, vinhos e cafés e estes amigos. São portas abertas das suas casas e das suas ideias. Nunca sabemos bem onde estamos nesta linha desta editora caótica, como nós, mas cheia destas vontades cruzadas. E muitos encontros, horas de estrada, há livros que se desenham numa noite, outros dez anos não chegaram ainda. São livros que marcam um mapa e esse mapa é muito difícil de desenhar porque nos aconteceu e nos cegou como se por vezes estivéssemos muito concentrados a focar o sol. 


Há dez anos atrás, no dia de aniversário do Duarte, sentámo-nos numa mesa de café a entregar aos nossos primeiros leitores o nosso primeiro livro, o Piñera. A tradução, ideia e incentivo foi do amigo Rui, com quem partilhámos o imenso entusiasmo deste texto. Ao longo de dez anos publicámos dois livros do Rui e começámos uma colecção criada por si, 30 de Fevereiro (com design do Luís, de que acaba de sair o Landolfi com tradução do Hugo), e continuaremos a dizer-lhe sim a todas as loucuras. O Pedro foi o nosso designer e paginador desde o primeiro livro, criando quase todas as colecções. Também nos fez um ensaio visual e uma capa para o Brautigan. Na colecção Baldio convidamos artistas para as capas - essa colecção começou com o West, livro que abriu as portas ao Manuel com quem depois publicámos o Volmann. O Brautigan entregámos à Sara para traduzir e pedimos-lhe que ficasse por aqui a rever quase todos os nossos livros. Foi também em longos cafés que descobrimos a língua do Brautigan. Pensámos no Manuel para o segundo livro, com as ilustrações do Sebastião. Foi nessa altura que juntámos um outro Rui e numa mesa de um café em Oeiras escrevemos juntos as suas histórias, foram horas e dias de amizade sem pressa. Nos intervalos falávamos de tudo o que faz a vida de cada um e ele falou-nos de duas traduções que gostava que reeditássemos e publicámos o Roorda e o Rilke. Este último em conjunto com um livro de poesia do Maiakowski, sugerido pelo Adolfo - e tínhamos jurado nunca publicar poesia. O Roorda entrou na colecção Baldio, com capa de um outro Rui da nossa vida, o quadro que hoje recebe as pessoas na nossa livraria. Este último livro da colecção, o Pinget, tem capa do nosso mini-editor, o Gaspar, capa que só podia ser de um livro da Regina, que a entendeu tão bem. A Regina apareceu-nos como um furacão com a tradução desse livro, depois de nos ter traduzido um outro para a colecção 30 de Fevereiro, do Picabia. Falámos com o Miguel para nos traduzir dois argentinos, o Arlt e a Ocampo - esta achámos nós que ninguém a conhecia mas uma editora amiga juntou-se para cada um de nós lançar a sua Silvina, em simultâneo. E depois o Rui traduziu-nos, para a sua colecção, o Filloy. Depois o Marcos falou a uns amigos do Vaca Preta e os Bestiários sugeriram fazermos juntos esse livro-bomba que ficou o livro mais lá de casa. Assim como o livro do Raul, snob da casa-mãe. O Crevel chegou-nos por sugestão do Diogo, que andava a procurar as suas casas, assim como o Blanchot nos cai em conversa pelo André, que nos entrega um dos livros da nossa vida com uma tradução muito mais cuidada do que sonhámos, e vem inaugurar uma nova colecção para a qual convidámos a idealizar e paginar o Bruno, mais um amigo da mobília-snob, que também nos fez este belo cartaz. Aproveitámos para publicar outro Blanchot e chamámos o Diogo, que depois nos traduziu o Levé, escolheu o Luís para a capa, e que foi ficando por aqui. A Carrington veio trazer a Leonor e longas horas em conversa connosco, leituras em voz alta, para encontrar a palavra certa. Com ela estamos a preparar uma nova Leonora. O Slataper veio de ideias partilhadas e foi assunto da primeira edição do curso de edição independente que criámos para partilhar o que fomos aprendendo, com tradução do António e a tão cuidada revisão da Ana Isabel e com capa do companheiro Teibão. O Zé Luís fez esse curso na edição em que falámos do Caldwel, tradução sua tão generosamente entregue à editora, que teve revisão do Manuel. Depois houve outros amigos com quem fomos decidindo fazer livros partilhados, o Diogo e o Poças Falcão, o Pedro e o grande João e esses dois editores que nos caíram na sorte, o Francisco e a Vitória e a maio maio com esse livro que tem mostrado estar sempre a crescer.


E estão outros a chegar, a tradução do Tiago, a Carolina e o seu poema-ensaio que lemos de um fôlego numa noite só, a tradução da Rita do Wilcock, que foi remoída em muitas horas em vídeo para que nada se perdesse entre línguas e viagens, e a Rita ainda nos trará mais uma escritora vizinha da Carrington. O Murilo que espera por nós tão pacientemente. Tantos e tantas que vivem em pastas por abrir na nossa nuvem. 


Este próximo sábado venham fazer parte desta festa que será apenas uma ocasião de juntar todas estas pessoas e os nossos leitores num só espaço, pequeno, é verdade, mas onde há sempre espaço para quem quiser ir chegando.                      


 
 
 

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